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Apenas 33% dos jovens acreditam que terão casa própria

9 Julho 2025  | Fonte: Vida Imobiliária

Apenas 33% dos jovens acreditam que terão casa própria

Em Portugal, apenas um em cada três jovens acredita que vai conseguir comprar casa nos próximos anos. Em Espanha, quase metade dos jovens entre os 20 e os 40 anos estima que precisará de entre cinco a 15 anos para o fazer, sendo que 31% dos jovens entre os 36 e os 40 anos acreditam que nunca vão conseguir.

A situação ibérica evidencia obstáculos estruturais que condicionam profundamente o percurso de vida da nova geração. Se em Portugal o principal entrave são os preços elevados (43%) e os rendimentos baixos (30%), em Espanha estes fatores são ainda mais expressivos: 80% dos jovens apontam o custo da habitação como a principal barreira, seguidos da instabilidade laboral (65%) e da falta de poupança (54%).

"Estes dados mostram que a realidade dos jovens está marcada por desigualdades geracionais profundas. A vontade de sair de casa existe – e é intensa –, mas o sistema não está a responder às suas necessidades. Em vez de emancipada, temos uma geração adiada", afirma Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal e Espanha.

Em Portugal, quase 65% dos jovens não independentes planeiam emancipar-se nos próximos dois anos e 45% atribuem nota máxima (10 em 10) ao desejo de sair de casa dos pais. Em Espanha, 37% dos jovens gostariam de viver sozinhos, mas acabam por optar por partilhar casa com o parceiro (46%) ou com amigos (20%) por questões financeiras.

Maioria dos jovens considera os incentivos do Estado insuficientes

A maioria dos jovens não acredita que os apoios públicos sejam eficazes: apenas 24% dos jovens portugueses consideram os incentivos do Estado suficientes e 65% dos jovens espanhóis afirmam que os apoios raramente se concretizam.

De acordo com o estudo da Century 21, em Portugal, 89% dos jovens estão dispostos a abdicar de viagens, lazer e compras para alcançar a independência. Em Espanha, embora essa consciência exista, 58% dos jovens não estão dispostos a abdicar de conforto pessoal, como a compra de telemóveis, plataformas de streaming ou eventos culturais, mesmo sabendo que isso facilitaria a emancipação.

Arrendar é solução, mas comprar continua a ser objetivo

Em Portugal, 32% dos jovens preferem comprar casa com hipoteca, embora a maioria (46%) opte pelo arrendamento como primeiro passo. Em Espanha, a percentagem dos que preferem comprar casa sobe para 39%, atingindo 48% entre os 28 e os 35 anos, enquanto o arrendamento é mais popular entre os mais novos (44% dos 20 aos 27 anos).

Em ambos os países, os jovens privilegiam acessibilidade económica, proximidade a transportes públicos e serviços essenciais, dando menos importância à área da casa. A mobilidade urbana e o tempo de deslocação para o trabalho ou estudo também pesam na decisão: em Lisboa, 27,6% dos jovens consideram as deslocações demasiado demoradas, valor inferior no Porto (22,6%).

Em Portugal, a maior parte da oferta habitacional situa-se acima dos 300.000 euros, com apenas 1% dos imóveis disponíveis abaixo dos 250.000 euros nas principais cidades. Esta escassez restringe significativamente as opções para os jovens e reforça a necessidade de novas políticas públicas e de incentivo à construção de habitação acessível.

"Precisamos de um novo paradigma habitacional centrado no custo de vida acessível"

"Precisamos de um novo paradigma habitacional centrado no custo de vida acessível (‘affordable living’) e não apenas na habitação acessível (‘affordable housing’). O problema não é só o preço da casa: é a soma da habitação, transportes, energia e qualidade de vida. É urgente desenvolvermos uma estratégia que articule mobilidade urbana com estabilidade laboral e incentivos à progressão de carreira", reforça Ricardo Sousa.

Créditos da imagem: © Aquilion Property | Unsplash