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Arábia Saudita instala empresa em Gaia para investir em Portugal

28 Julho 2026  | Fonte: DN | visto em AICEP

Arábia Saudita instala empresa em Gaia para investir em Portugal

Durante uma recente visita a Portugal, marcada por encontros com associações empresariais, entidades públicas e empresas, o presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal e CEO do Albaltan Group, Alwalid Albaltan, defendeu que o objetivo passa por estreitar as relações económicas entre os dois países, nos dois sentidos.

"A SDCI nasce como uma holding de investimento dedicada a identificar oportunidades estratégicas em Portugal. O seu âmbito é bastante mais vasto do que o investimento imobiliário", afirma o empresário em entrevista ao DN. O responsável acrescenta que a empresa pretende "estruturar joint ventures entre empresas portuguesas e sauditas, apoiar a internacionalização de empresas de Portugal para a Arábia Saudita, facilitar exportações, identificar parceiros locais e acompanhar investimentos nos dois sentidos".

A agenda de Albaltan emPortugal incluiu reuniões com entidades como a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), o Banco Português de Fomento, a AIMMAR a Produtech e o CATIM, além de encontros com empresas como Revigrés, Grupo ACA, Grupo SANA, Tecnimede, LSI Stones, AM Furniture e Adyta.

"O nosso foco não é adquirir essas empresas portuguesas. O grande objetivo é criar oportunidades para que estas empresas participem nos grandes projetos que estão a transformar a Arábia Saudita", sublinha. Para Albaltan, Portugal tem competências que podem ser relevantes numa fase em que o país do Golfo investe em construção, turismo, infraestruturas, desenvolvimento urbano e indústria.

"Portugal tem empresas com enorme experiência em engenharia, construção, materiais, arquitetura, hotelaria e indústria transformadora, e acreditamos que esse conhecimento pode desempenhar um papel relevante no mercado saudita".

Mercado em ascensão

A ambição saudita tem sido acompanhada de perto por investidores internacionais, mas também por dúvidas sobre a execução de alguns dos seus projetos mais emblemáticos, como a The Line - a megacidade futurista inicialmente apresentada como símbolo máximo do projeto Neom, e que caiu por terra num contexto em que Riade, capital do país, e outras cidades, continuam a correr contra o tempo para cumprir os objetivos da Vision2030, projeto que prevê colocar o reino como principal destino turístico do mundo. Albaltan rejeita, no entanto, que os atuais desafios representem um recuo na estratégia.

"A SaudiVision2030 é, naturalmente, um projeto muito ambicioso. Mas também é um processo de transformação sem precedentes e é normal que, ao longo da sua execução, alguns projetos sejam ajustados em função das necessidades, dos prazos ou das prioridades", afirma. "O que permanece inalterado é a estratégia de diversificação económica e de desenvolvimento de novos setores, como o turismo, a indústria, a tecnologia e as cidades inteligentes", sublinha em relação ao projeto que pretende diversificar a economia da Arábia para outras áreas que não o petróleo, e sim o turismo, por exemplo.

O turismo, aliás, é outra das áreas em que o grupo identifica potencial para uma relação mais estreita com Portugal. A agenda de Albaltan em Portugal incluiu reuniões com o Grupo SANA e contactos ligados ao PortugalFashion, depois de a organização portuguesa ter recebido, no ano passado, três jovens designers sauditas.

"As duas dimensões são igualmente importantes", responde Albaltan, questionado sobre se o objetivo é trazer capital saudita para Portugal ou levar o conhecimento português para os novos destinos turísticos sauditas. "Por um lado, queremos que empresas portuguesas participem no desenvolvimento dos grandes destinos turísticos sauditas, levando a sua experiência em hotelaria, arquitetura, engenharia, gestão turística e serviços. Por outro, queremos também atrair investimento saudita para Portugal, sobretudo em áreas onde o país tem vantagens competitivas, como o turismo, a habitação, a construção e outros setores estratégicos".

Os dados mais recentes do Trading Economics, relativos a 2025, dão conta de que os negócios entre Portugal e a Arábia Saudita representam atualmente cerca de 200 milhões de dólares por ano em exportações portuguesas. Com este novo movimento, é expectável que aumentem embora ainda seja difícil perspetivar para que dimensão.

O 'Efeito Ronaldo'

Para Albaltan, é evidente que a relação entre Portugal e Arábia Saudita ganhou ainda maior visibilidade desde a chegada de um certo futebolista ao futebol saudita em 2023. "O Cristiano Ronaldo teve e tem um papel muito importante na aproximação entre Portugal e a Arábia Saudita. A sua presença contribuiu para dar maior visibilidade internacional ao país e despertou também a curiosidade de muitos empresários portugueses para um mercado que está a viver uma transformação profunda", pontua, explicando no entanto que o avanço das relações empresariais dependerá do sucesso das parcerias noutros campos.

'As relações económicas constroem-se sobretudo com confiança, conhecimento e resultados concretos. Quando os projetos têm como objetivo gerar desenvolvimento económico, criar emprego, promover inovação e melhorar a qualidade de vida das pessoas, as diferenças culturais deixam de ser um obstáculo e passam a ser uma oportunidade de aprendizagem mútua", finaliza.

Crédito fotografia: © Gustavo Soares | Unsplash